“Você acha que não, mas já senti o mundo inteiro cair sobre minha cabeça milhares de vezes; e por conta de, constantemente, sentir esse peso de ter que carregá-lo nas costas, acabei aderindo à política singela e irônica do tanto-faz. Não me importavam os raios de sol, tampouco as rajadas de vento, acompanhadas por gotas raivosas de chuva, que compunham uma sinfonia em minha janela todos os dias. Não me importava o riso, a calma, o alento. Não me importava a vida, nem a morte. O tumulto, que antes me chamava para perto todo o instante, passou a querer distância de mim. E aos poucos, essa ânsia de me-afastar-do-mundo-para-curar-minhas-feridas foi repelindo de mim tudo aquilo que antes, era essencial, como dois pólos positivos ou negativos, quando se encontram. Tudo se perdeu. Desde amores não correspondidos até belas cartas e fotografias antigas, que traziam consigo, pequenas partículas do passado, em forma de poeira. Droga. Sempre fora vulnerável demais quando o assunto era saudade. Mas com o tempo, esfriei. Congelei meu coração, deletei meus sentimentos. Fiz nevar dentro de mim.